Oremos. Senhor, escutai as orações que Vos ofereceremos todos os dias deste mês, pela consolação de nossos irmãos e irmãs falecidos, e concedei-lhes um lugar de descanso, de luz e de paz! Escutai também as orações que essas almas Vos oferecerão em nossa intenção, para que possamos finalmente obter, através de sua intercessão, as graças que Vos pedimos.
As origens do mês dedicado aos mortos remontam ao Antigo Testamento, ao povo de Israel. Esse povo, que sozinho possuía o verdadeiro Espírito de Deus, não se contentou em proclamar em seus livros sagrados que orar pelos mortos era uma obra santa e salvífica, mas também quis determinar a duração de tal oração. Foi estabelecido que o luto não cessaria até que cada um dos falecidos fosse lamentado por um mês. Assim, após a morte de Jacó, seus filhos lastimaram sua perda e fizeram orações por trinta dias1.
Inspirada por uma prática tão antiga e aprovada, a piedade dos fiéis consagrou um mês inteiro ao alívio das almas do Purgatório. E como a Igreja celebra o Dia de Todos os Fiéis Defuntos no segundo dia de novembro, este mês pareceu o mais apropriado para esta devoção. O mês consagrado às almas do Purgatório, recomendado pelos soberanos pontífices e enriquecido com favores espirituais é publicamente celebrado por um grande número de comunidades religiosas e paróquias cristãs.
Acolhe com grande alegria o despertar deste mês que tão admiravelmente responde às necessidades do coração. Ele vos lembrará das mais ternas memórias de família, das mais sagradas promessas, das mais tocantes despedidas. Ele desenvolverá a vossa compaixão pelos familiares e amigos que, devido ao seu sofrimento e estado miserável, tornam-se mais queridos.
Sim, a dignidade dessas almas desafortunadas, a severidade de seu sofrimento, sua incapacidade de salvarem-se a si mesmas, a Glória de Deus, vosso interesse pessoal, enfim, tudo clama para que as visiteis e venhais em seu auxílio, cada dia deste mês. Ó! Não é este o mês dos suspiros e das lágrimas? Não é este o mês da caridade e do reconhecimento, o mês dos vivos e dos mortos, o mês verdadeiramente libertador? Cheio de entusiasmo no início de tal mês, uma santa exclamava ao começar os exercícios do mês de novembro: Esvaziemos o Purgatório!
De maneira menos ambiciosa, mas não menos zelosa, digamos a nós mesmos, caro leitor: Quero aliviar muitas Almas do Purgatório, durante este Mês de bênçãos que lhes é consagrado! Eu quero, eu devo, eu posso!
Para aproveitar bem o mês dos mortos, tomai hoje as seguintes resoluções e cumpri-as fielmente. A cada dia, pela manhã, oferecei à Deus, pelas almas do Purgatório, os méritos de vosso trabalho, de vossos sofrimentos e de vossas boas obras. Dizei ao despertar: Senhor, tudo para maior gloria Vossa e pelo alívio de meus antepassados falecidos! Separai um tempo específico durante o dia para ler atentamente a este pequeno livro. Esta leitura esclarecerá o vosso espírito e aquecerá o vosso coração. Não deixeis nunca de fazê-la. Ide algumas vezes ao cemitério depositar sobre o túmulo de todos aqueles que vos foram próximos, com vossas lágrimas e orações, uma lembrança que os console. É o lugar próprio para se rezar e chorar! Cada semana, separai um dia especial às almas do Purgatório, quarta-feira por exemplo, e assisti à santa Missa nessa intenção. No decorrer do mês, fazei pelas almas uma esmola ao pobres e uma ou várias comunhões fervorosas.
Sim, fazei assim, alma cristã e compassiva, e ao final deste mês libertador tereis enviado para a Igreja triunfante do céu um grande número dos irmãos que gemem e choram nas chamas do Purgatório. Que motivo de consolações! Que penhor de esperança! Vamos, levantai-vos! Dizia São Bernardo. Voai em socorro das almas dos defuntos, chamai sobre elas a clemência divina com gemidos de penitência, implorai a misericórdia com suspiros de mortificação, satisfazei por elas com o sacrifício da missa, resgatai-as com orações, e lhes abrireis as portas do Paraíso.
Eis como uma uma pessoa digna de fé conta sua cura extraordinária, obtida pela intercessão das almas do Purgatório, durante o mês de novembro.
Eu estava, já há vários anos, atingida por uma doença cruel que fazia do meu corpo um esqueleto, de minha vida um martírio, e que me conduzia insensivelmente ao túmulo. Consultei vários médicos de renome, mas todos os remédios que me prescreviam, após alguns raros momentos de alívio, me deixavam ainda mais frágil e abatida. Não podendo nada obter dos recursos da medicina, deixei de lado os medicamentos e recorri às almas do Purgatório que compreendem muito bem o mistério do sofrimento. O mês de novembro, que lhes é especialmente consagrado, iria começar. Tomei a resolução de o celebrar com todo o fervor possível, e de concluí-lo com uma boa Comunhão. Os meus pais e as pessoas piedosas que conhecia uniram suas preces às minhas. Cada dia, reunidos à noite em meu quarto, aos pés de uma imagem de São José, pedíamos com confiança duas coisas: a libertação das pobres almas do Purgatório e o alívio dos meus males. Ao final da primeira semana, experimentei uma melhora sensível, que coisa admirável! No último dia do bendito mês, eu estava na igreja, à mesa santa, inebriada de alegria, de felicidade e agradecendo. Minha cura estava completa, não havia sobrado traço algum da doença que me havia torturado por tanto tempo e que, como diziam os próprios médicos, era incurável. Graças sejam dadas às santas almas do Purgatório cuja proteção se manifestou de maneira visível a meu favor!
Que favores vamos receber também, para nossos fiéis defuntos e para nós mesmos, se praticarmos santamente as devoções deste belo mês! Tendes coragem, e confiança!
Oremos. Deus bom e misericordioso, dignai-vos ouvir as fervorosas orações que vos dirigimos durante este mês de bênçãos. Nós vos oferecemos cada dia, cada hora, pelo alívio e libertação dessas almas cativas que suplicam a vós e a nós, do fundo de sua prisão tenebrosa. Senhor, chamai vossos filhos, nossos irmãos, ao repouso eterno. Que a luz que nunca se apaga brilhe sobre eles! Que descansem em paz!
Requiescant in pace!
Em seguida, reze cada dia:
Na verdade Jacó foi chorado por 70 dias pelos egípcios (Gênesis 50:3). Outros líderes de Israel foram lamentados por trinta dias, como Moises e Aarão (Deuteronômio 34:8 e Números 20:29). ↩